27 de fevereiro de 2015

Poesia Objectiva

Imagem daqui













Meu querido amigo
vou contigo partilhar
algo de muito concreto
Uma ideia, um conceito,
que aflora em meu intelecto

Hoje de manhã
Quando por certa árvore passava
Comecei a pensar nos pintores
A inveja que deles tenho!
Pus-me a imaginar
A fonte d'onde eles bebem
E a imaginação logo se calou
Porque ficou sem palavras
É que eles imaginam com cores
Não imaginam com palavras
É por isso que eu tenho inveja deles
Imaginar com cores é coisa de pintores
Eu só sei imaginar com palavras

As palavras coitadinhas
têm princípio, meio e fim
Já as cores...
As cores são infinitas
Ai como eu invejo os pintores!

Só os pintores sabem...
...escrever com palavras infinitas

Por isso, te digo
Meu querido amigo
Eu, com as minhas palavras concretas,
Que mais parecem objectos,
Só posso te dizer o que conseguir escrever.

Cristina

15 de fevereiro de 2015

A Praia

Ao passear por este local, consigo perceber
Que por aqui passou uma tempestade.
Para ser mais precisa: um furacão
Que arrancou tudo à sua passagem.

A destruição é de total grandeza
Que há pedaços vividos, mas não sentidos;
Que ficam boiando nas águas, ainda agitadas,
De um mar que ainda não reconhece a sua praia.

A destruição é de total grandeza
Que a sujidade impregna a paisagem
E para onde quer que se olhe só se vê dor.
Sim, porque dói ver a beleza destruída!

Até as nuvens densas e pesadas no céu
Insistem em tapar o sol esplendoroso
Que anuncia a harmonia do porvir,
Depois d'uma destruição de total grandeza.

Cristina, 27 de Março de 2014

Fraternidade

Há distância de algumas horas,
Ainda está gravado no meu intelecto.
Naquele momento exacto, eu senti algo muito real.
Eu vi um pedaço de realidade dentro de mim.

Era um espaço amplo, aberto, iluminado,
Tranquilo e definido por uma única lei.
Não sei, mas desconfio...apenas uma lei impera
E tudo é simplesmente fraternidade.

Aqui eu concedo, para que me seja concedido;
Eu permito, para que me seja permitido.
Aqui eu dou, para que eu obtenha;
Enfim liberto, para que eu seja libertada.

É um ponto de encontro de mim comigo mesma,
Onde todos os outros se transformam em mim.
É uma sala de espelhos onde eu estou reflectida,
Olhando para ti eu sei o que eu sou agora.

Cristina, 26 de Março de 2014

12 de fevereiro de 2015

Tudo acontece em mim













Nem no futuro...
Nem no passado...

Nem nas outras pessoas...
Nem em outros lugares...

Estar em mim,
O lugar onde nasci
E onde me criei.
O lugar onde morrerei,
Para depois renascer
Renovada e fresca.

Depois do mergulho ao fundo
Imerjo, ansiosa por respirar,
Por abrir os olhos e ver,
Cada vez mais nítido.

Agora as folhas outonais
São ainda mais lindas.

Cristina, 4 de Dezembro de 2013