20 de abril de 2015

A construção


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agora eu sei
posso dizer
porque eu o sinto

por ser tão verdade
como o sangue
que me corre nas veias

tudo o que escolhemos
para a nossa vida
é uma construção

Cristina, 10 de Setembro de 2014

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Legenda: Imagens (1,2 e 3) do google

17 de abril de 2015

Abstrato 2 minutos

Fazes-me mossa

fazes-me uma mossa
igual à serra da estrela
profunda e gelada

fico parada
engulo em seco
e lembro-me do contrário
a felicidade
anseio por ela de novo
a minha bitola

fico nesta equação
sem solução
minha mão tremelica
tenho um achaque

dá-me dor de cabeça
meu pé tropeça
cai-me tudo ao chão

depois
vem a calmaria
estou numa pradaria
com cheiro de verão

searas douradas
sorriso aberto
a certeza da vida
tudo tem solução

engreno de novo
volto à minha condição
procuro procuro
sempre com alegria na mão

sobe-me uma coisa
e fico feliz
meu depósito está cheio
vou daqui até Paris

Cristina, 17 de Abril de 2015

"Há sempre pessoas prontas a entrar na nossa vida,
mas se não estivermos preparados para as receber,
elas não vão ficar"_Carolina Torres

14 de abril de 2015

O naúfrago

Imagem daqui

Dizes que encontraste a poesia,
mas não sabes o que fazer com ela.

Dás-me vontade de rir.

Ah! Como me pareces tão coitadinho!

Pareces-me tão coitadinho,
Que me fazes lembrar
As minhas próprias palavras,
De tão coitadinhas que são.

És um náufrago!

És um náufrago à deriva em alto-mar
Segurando-se apenas num destroço de madeira,
Mas julgando nele uma ilha.

Permite que te desengane,
Meu querido amigo.

Se tu, porventura, de verdade...

Sentisses o veludo de seu abraço,
Cheirasses seu hálito de jasmim,
Visses a alegria do seu sorriso,
E a olhasses nos olhos, de verdade.

Ficarias  tão enamorado,
Tão perdidamente apaixonado,
Que não haveria nada a fazer.

Cristina, 26 de Março de 2015

"A escrita é uma forma de terapia"_Carlão

2 de abril de 2015

A comandante

Sou a comandante d'um navio
Navego no mar e na escuridão
Junto com toda a tripulação
Sou a comandante d'um navio

Minha mão firme segura o leme
Meu olho fixo na escuridão
Minhas pernas "bambas" de medo
Olho p'ró céu faço minha oração

Agora vou do meu navio falar
Muitos apetrechos tem ele
O primeiro é a bandeira
Depois a caldeira que o faz andar

A bandeira nem sabia que lá estava
O combustível é doação
Tenho sorte por ter bons amigos
Entre a minha tripulação

Já há muito que navego
Sem em nenhum porto atracar
Até parece que não tem fim
Este oceano este mar

Tenho passado por algumas ilhotas
E minha âncora não lanço
Meus conselheiros asseguram
Não são lugares de confiança

Sou comandante sou tripulação
E até ratos trago no porão
Navego no mar e na escuridão
Junto com toda a tripulação

Do porto que deixei
Já não tenho lembrança
Resta-me uma espécie de confiança
Resta-me uma espécie de esperança

Que sentido este navio
O que é este mar
Porquê só escuridão
Bem sei, tenho que navegar

Afinal de contas...

Sou a comandante d'um navio
Só sei navegar no mar e na escuridão
Apenas me resta segurar no leme
Bem firme com a minha mão

Cristina, 25 de Novembro de 2014