1 de setembro de 2016

A Lua II

Vou fazer as apresentações:
Um astro luminoso (sol)
E um planeta escuro (lua)
Juntaram seus corações!

Nós, cá na terra,
Não conhecemos caso assim.
Ficamos intrigados...
Olhamos pró céu e... hum!!

Ao que parece, o caso é simples.
E de fácil explicação.
Luana e Hélio se apaixonaram!
E agora não se largam!

Assim, todos os dias, nós na terra,
Assistimos a um espetáculo impressionante:
Um irremediável caso de amor
Entre uma rocha e uma chama incessante.

A dança deles é bela.
Qual coreografia harmoniosa!
Ele explode em Luz.
E ela expõe-se nervosa:

Serias tu capaz?
De tuas fases mostrar?
Todas as tuas caras...
Todas as tuas escaras...

Sim... E seriam belas!
Um espetáculo cheio de cor.
Igual ao nascer do sol
Ou à lua cheia em seu esplendor.

Cristina, 1 de Setembro de 2016

A Lua

- Ai que Lua tão Liiiiiiinda!
- Olha Rosana a Lua tão bonita que está tão linda Rosana a Lua!

- Oh mãe a Lua está estrelada! Ela está estrelada!

- Sabes como se chama esta Lua, filha... Esta Lua chama-se: Lua Cheia! Quando ela está grande e muito redondinda, ela chama-se Lua Cheia.

- Oh mãe a Lua está Cheia!


Oh lua misteriosa
serena e silenciosa
sábia e dengosa
libertina e rigorosa

conta-me das tuas manhas
que sangue corre nas tuas veias
de que são feitas tuas ideias
que carregas nas tuas entranhas

ensina-me a ser como tu
tu que és sempre inteira
ás vezes
mostras-te um bocadinho
outras
nem te vejo

Oh lua estrelada
encantadora e ousada
irrequieta e abençoada
Linda! e muito amada

conta-me ao que vieste
porque a mim me quiseste
saberás de minhas imperfeições
conta-me...
porque juntámos nossos corações

apesar de existirem tantas questões
são apenas do intelecto indaguações
esta verdade é só uma, afinal
e acredita
não está no intelectual

Cristina, 1 de Setembro de 2016

3 de agosto de 2016

Flor de Lótus

Pintura "Cristo de Pano" daqui
...
dor emocional
ferida aberta
poço sem fundo
raiva desperta

rumo aleatório
sabor amargo
olhar transviado
desesperado-irado

inveja-traição
boca d'intrigas
cume da perfeição
peito em asfixia

fantasmas-demónios
esconjuração
auto-engano
ignorância-paixão

beco sem saída
deambulante-perdido
abismo eminente
dor constante

fechada-teia-cerrada
auto-mutilação
labirinto escuro
condenação

silêncio doloroso-putrefação
paz podre-obrigação
cativeiro consentido
dogma benzido

um
pingo
de
LUZ

Anunciação
Coros Celestiais
Dividimos o pão

Domingo de Páscoa
Roupa a estrear
Cheira a festa
Vamos celebrar!

Abrimos as portas
Para partilhar
Hoje há para todos
Vamos Jesus Cristo beijar!

E o Natal?
O Natal é ainda mais Especial!
Aniversário do Deus Menino!
Tão Adorado desde Pequenino!

E a Estrelinha no Céu?
Sempre a Brilhar!
Sua Luz Ilumina
Quem Acreditar

Deus e todos os Santos
Têm minha Devoção
São Francisco de Assis
Buda
...e até os ET's da ficção!


São Francisco de Assis daqui


2 de agosto de 2016

Para a minha filha I

                I

Era uma vez uma florzinha
Que vivia, muito feliz,
No meio de um prado.
Como ela sempre quis...

Acordava de manhã cedinho
E tomava o pequeno-almoço,
P'ra ficar forte e crescidinha,
Inteligente e com uma força.

Admirava o nascer-do-sol
Mesmo atrás dos pinheirinhos.
Como era bonito à tardinha!
Quando atrás da serra se escondia.

E a florzinha era tão feliz!
À noite quando ela dormia,
Enquanto ela crescia,
Sonhava com lindas vaquinhas!

E a florzinha era tão contente!
Durante o dia inteiro
Brincava com os amiguinhos
E aprendia muitas coisinhas!

As suas melhores amigas
Eram as árvores grandes.
Tão crescidas que elas eram!
Que quase no céu tocavam.

A florzinha gostava tanto
Dos seus amigos passarinhos.
Das lindas abelhinhas
E de todos os animaizinhos.

                II

Mas o que ela mais gostava
Era da Primavera,
O sol era uma alegria
E o vento fazia magia.

Quando chegava a Primavera
Haviam muiiiiitas cores!
O céu pintava-se de azul
E a pradaria de flores.

Um dia o sol ficou mais quente
E as ervinhas ficaram sequinhas.
Então a florzinha pôs-se a pensar:
- Será que o verão está a chegar?

Depois viu meninos passar
Com baldinhos e braçadeiras.
Iam muito contentes e a saltitar,
Porque iam para o rio mergulhar.

E a florzinha pensou:
- O verão já chegou!

E à noitinha quando ia dormir
O céu estava muito estrelado.
Os grilinhos faziam gri-gri
E o ar cheirava a gelado.

                III

Um dia o sol arrefeceu
E o vento começou a soprar.
O chão ficou cheio de folhinhas
Que caíam das árvores a abanar.

Eram as folhinhas do Outono...
O Outono estava a chegar!

É tão bom ir a correr,
Para o parque, a brincar!
Há tantas folhinhas no chão!
Eu corro e elas até voam!

Agora está mais frio
E tenho que me agasalhar.
Até começou a chover...
Não posso ir para a rua brincar.

Fico em casa no quentinho
E bebo chá com bolinhos.
Olho a chuva pela janela
Que não pára de cair.

                IV

Então, agora eu sou uma menina?
Como pode isso ser?
Se eu sou uma florzinha...
Como pôde isto acontecer?

Já sei...!
Foi o vento que fez magia!
Aquele malandro... Ao passar...
O vento está sempre a aprontar!

De repente a florzinha abre os olhos
Pestanudinhos e a piscar.
Então, ela logo pensou:
- Ai que eu estava a sonhar!

Eu era uma menina a brincar.
Corria nas folhinhas do Outono,
Ficava no quentinho a olhar
A chuva lá fora a cair.

Então, de repente...
A florzinha ficou tão contente!
Ao olhar à sua volta
Viu muitas cores e o céu azul.

Viu as abelhinhas e os passarinhos.
As amigas árvores a sorrir
E as ervinhas tão formosinhas!
Tudo era uma alegria!

Afinal...Ainda era Primavera!
E ela era uma florzinha feliz
Que vivia no meio de um prado.
Como ela sempre quis...

Cristina, 2 de Agosto de 2016

12 de fevereiro de 2016

Bem-vindo

Sê bem-vindo
À minha peça de teatro!
Não pagas bilhete,
Mas só assistes a um acto.

Sê bem-vindo
À minha performance!
Senta-te na primeira fila,
Só hoje terás essa chance.

Sê bem-vindo
À minha actuação!
Não bates palmas?
Obrigado! ... De coração.

Sê bem-vindo
Ao meu recital!
Eu quero dar o meu melhor...
Não sei bem. às vezes, é qual!

Sê bem-vindo
À minha gravação!
Às vezes minha fé vacila...
Ou então! ...Não.

E... para quem está
Na bancada VIP sentado
Tenho muita coisa a dizer
A primeira é agradecer

Depois... quero agradecer de novo
Pois, sem vocês meus fiéis espectadores
Eu não seria mais do que um ovo

Graças a vocês meus queridos
Passei muitos dias à rasca
De sangue, suor e lágrimas
Valeu a pena! Saí da casca

Tenho marcas, tenho feridas e...
Dói-me aqui, dói-me ali!
Tive que ser contorcionista
Quase desde que nasci

Minha arte é intemporal
E treinada devagarinho
Na plateia: uns, dizem mal
Outros, é cá um burburinho!

Nos bastidores sou bem orientada
Por mentores de categoria
Também eles já estiveram no meu lugar...um dia...
E...são cá d'uma valentia!

Também quero muito agradecer
A quem trata da encenação
Som, limpeza, iluminação...
Tudo tem muito valor...podem crer!

Só faço bem se todos os dias
Sentir gratidão por este chão
E, depois...sei que tudo o que me acontecer
Eu, certamente, fiz por merecer!

Sou a actriz principal
Este é o meu guião
Pelos meus amigos de cena
Esforço-me por sentir, também, gratidão

E... no dia em que a cortina fechar
Quero sentir-me muito feliz
E ter o meu coração a transbordar

E... no dia em que a cortina fechar
Quando meus olhos abrir
Quero ver claro e sentir

E... no derradeiro momento!
Quando finalmente...
...a iluminação se apagar!
...o som se desligar!
E...a cortina, definitivamente, cerrar!
Eu vou uma vénia fazer!
E vou continuar a agradecer!

A minha chama continuará acesa
E a minha fé a fervilhar
Quero outros palcos pisar
Por aí fora...
...por esse infinito Universo

Cristina, Dezembro de 2015

Minhas palavras

Imagem daqui

Eu faço cordas de palavras
em vez de fazer uma oração.

Eu faço cordas de palavras
p'ra fazer um laço bonito no meu coração.

Eu faço cordas de palavras
p'ra te enrolares quando faltar a paixão.

Eu faço cordas de palavras
p'ra te agarrares quando ficares sem chão.

Palavras sem nexo para o intelecto,
na linguagem do coração.
Palavras sem tecto esperando adopção.
Palavras abertas por detrás de um portão.
Palavras que são um deserto para a razão.

Palavras, palavras, palavras, ...

Palavras, porque sim ... !
Palavras que fazem sentido p'ra mim.
Palavras que são confetis e pozinhos perlimpimpim.
Palavras que tocam à minha campainha e fazem "triiiiiiiim".

Palavras ... Quero mais!
Elas entram e tu sais!
Elas são e tu jamais!
Elas sonham e são reais!

Palavras borbulhantes da minh'alma,
como uma nascente termal.
A sua característica medicinal
é curar-me de qualquer mal.

Palavras esquisitas para os acomodados,
Palavras benditas para os perturbados,
Palavras malditas para os arrogantes,
Palavras esquisitas de ignorantes.

Palavras afastadas do desejo de vencer,
Palavras esgotadas para quem quer aparecer,
Palavras desprezadas pelo capital,
Palavras espezinhadas pelo modelo social.

Palavras traduzidas da linguagem intemporal.
Palavras trazidas do mundo real.
A password permitida pelo portal
é amor a linguagem universal.

Cristina, 23 de Janeiro de 2016

13 de janeiro de 2016

Semente

Eu sou semente lançada à terra
Em plena noite da escuridão
Meu germe geme de dor
Meu sonho alcança a imensidão

E tomo banho nas tempestades
Em dias cinzentos sem fim
Monotonia monocromática
Arco-íris de cetim

E vivo confinada neste lugar
Presa e agarrada a este chão
Não tenho nem raízes
Mas sobra-me imaginação

Apenas o vento vem me segredar
Que podemos ir a todo o lugar
Sei que ele é um senhor
Não ia estar a in-ventar

...e em pleno céu descampado

Eu travo batalhas no meu peito
São de sangue sob a terra arada
Eu que tenho uma fé inabalável
E sonho c'uma seara dourada

Assim minhas raízes crescem
Debaixo dos meus pés doridos
E... feridos dos apertados grilhões
Dos desenganos e das paixões

Agora, à noite, já vejo a lua
E, então, ponho-me a questionar
Que estará ela a dizer
Na sua linguagem de brilhar

Tenho lindos passarinhos
Sempre perto de mim
Cantam em meus ramos
Tão bom! Sou feliz assim

E então, começo a enxergar
Vejo os homens lá em baixo
Eles não param de guerrear
Por paixão, engano, seja o que for!

Tudo serve para entreter
Seu desejo de vencer
E eu fico a tremer só de ver
Tal turbilhão de sofrer

Eu que sou apenas uma árvore
Nem a minha mãe conheço
Fui semente lançada à escuridão
Só sei ser feliz...enquanto cresço

Cristina, 15 de Outubro de 2015

12 de janeiro de 2016

REC _ 2

aBeCeDáRiO

A de AMOR
B de BONDADE
C de COMPREENSÃO
D de DÚVIDA
E de ESTÍMULO
F de FODAM-SE TODOS
G de GATOS
H de VELHOS HÁBITOS
I de VAMOS À MISSA
J de JAULA
K dos da CAPA PRETA
L de NÃO ME DÊS LUME
M de AMA-ME MUITO
N de TUDO POR NADA
O de OSTRACIZADA
P de PUTAS
Q de ATÉ QUANDO?
R de RUA
S de SABEDORIA
T de TRABALHO TRABALHO TRABALHO
U de UNIVERSO
V de VERGONHA
X de TESOURO
Z de SUPERAÇÃO