3 de agosto de 2016

Flor de Lótus

Pintura "Cristo de Pano" daqui
...
dor emocional
ferida aberta
poço sem fundo
raiva desperta

rumo aleatório
sabor amargo
olhar transviado
desesperado-irado

inveja-traição
boca d'intrigas
cume da perfeição
peito em asfixia

fantasmas-demónios
esconjuração
auto-engano
ignorância-paixão

beco sem saída
deambulante-perdido
abismo eminente
dor constante

fechada-teia-cerrada
auto-mutilação
labirinto escuro
condenação

silêncio doloroso-putrefação
paz podre-obrigação
cativeiro consentido
dogma benzido

um
pingo
de
LUZ

Anunciação
Coros Celestiais
Dividimos o pão

Domingo de Páscoa
Roupa a estrear
Cheira a festa
Vamos celebrar!

Abrimos as portas
Para partilhar
Hoje há para todos
Vamos Jesus Cristo beijar!

E o Natal?
O Natal é ainda mais Especial!
Aniversário do Deus Menino!
Tão Adorado desde Pequenino!

E a Estrelinha no Céu?
Sempre a Brilhar!
Sua Luz Ilumina
Quem Acreditar

Deus e todos os Santos
Têm minha Devoção
São Francisco de Assis
Buda
...e até os ET's da ficção!


São Francisco de Assis daqui


2 de agosto de 2016

Para a minha filha I

                I

Era uma vez uma florzinha
Que vivia, muito feliz,
No meio de um prado.
Como ela sempre quis...

Acordava de manhã cedinho
E tomava o pequeno-almoço,
P'ra ficar forte e crescidinha,
Inteligente e com uma força.

Admirava o nascer-do-sol
Mesmo atrás dos pinheirinhos.
Como era bonito à tardinha!
Quando atrás da serra se escondia.

E a florzinha era tão feliz!
À noite quando ela dormia,
Enquanto ela crescia,
Sonhava com lindas vaquinhas!

E a florzinha era tão contente!
Durante o dia inteiro
Brincava com os amiguinhos
E aprendia muitas coisinhas!

As suas melhores amigas
Eram as árvores grandes.
Tão crescidas que elas eram!
Que quase no céu tocavam.

A florzinha gostava tanto
Dos seus amigos passarinhos.
Das lindas abelhinhas
E de todos os animaizinhos.

                II

Mas o que ela mais gostava
Era da Primavera,
O sol era uma alegria
E o vento fazia magia.

Quando chegava a Primavera
Haviam muiiiiitas cores!
O céu pintava-se de azul
E a pradaria de flores.

Um dia o sol ficou mais quente
E as ervinhas ficaram sequinhas.
Então a florzinha pôs-se a pensar:
- Será que o verão está a chegar?

Depois viu meninos passar
Com baldinhos e braçadeiras.
Iam muito contentes e a saltitar,
Porque iam para o rio mergulhar.

E a florzinha pensou:
- O verão já chegou!

E à noitinha quando ia dormir
O céu estava muito estrelado.
Os grilinhos faziam gri-gri
E o ar cheirava a gelado.

                III

Um dia o sol arrefeceu
E o vento começou a soprar.
O chão ficou cheio de folhinhas
Que caíam das árvores a abanar.

Eram as folhinhas do Outono...
O Outono estava a chegar!

É tão bom ir a correr,
Para o parque, a brincar!
Há tantas folhinhas no chão!
Eu corro e elas até voam!

Agora está mais frio
E tenho que me agasalhar.
Até começou a chover...
Não posso ir para a rua brincar.

Fico em casa no quentinho
E bebo chá com bolinhos.
Olho a chuva pela janela
Que não pára de cair.

                IV

Então, agora eu sou uma menina?
Como pode isso ser?
Se eu sou uma florzinha...
Como pôde isto acontecer?

Já sei...!
Foi o vento que fez magia!
Aquele malandro... Ao passar...
O vento está sempre a aprontar!

De repente a florzinha abre os olhos
Pestanudinhos e a piscar.
Então, ela logo pensou:
- Ai que eu estava a sonhar!

Eu era uma menina a brincar.
Corria nas folhinhas do Outono,
Ficava no quentinho a olhar
A chuva lá fora a cair.

Então, de repente...
A florzinha ficou tão contente!
Ao olhar à sua volta
Viu muitas cores e o céu azul.

Viu as abelhinhas e os passarinhos.
As amigas árvores a sorrir
E as ervinhas tão formosinhas!
Tudo era uma alegria!

Afinal...Ainda era Primavera!
E ela era uma florzinha feliz
Que vivia no meio de um prado.
Como ela sempre quis...

Cristina, 2 de Agosto de 2016