11 de maio de 2017

O Céu e o Inferno

I
Presença - Ausente
uma ausência presenciada!
sempre presente, ali
mas com sabor de nada!

Apatia... Indiferença
buraco de salvação
escavado no peito
ao lado do coração!

Vítima - Carrasca
minha anfitreã!
abriste-me as portas
da casa de satã!

Esquizofrenia... Bipolar
do pólo norte ao pólo sul
meu barquinho de borracha
meu brinquedo pula-pula

II
Estrelas do céu apagadas
e brilho do sol enublado...
Universo camuflado
Um big-bang ao contrário!

Buraco negro mesmo ali!
Sempre por perto
Dá cá um medo
de lá cair dentro!

Cometa Halley cadê ?
Vi-te brilhante a passar
ainda te pedi um consolo
mas mandaste-me bugiar

Meteoro do espaço sideral
desprovido de brilho e de cor feia
Feito de cinza e escória
sob a bigorna d'um ferreiro

III
Espiral destrutiva
Espinha dorsal
Uma Alma vazia
Um abismo colossal

Éter inflamado
Lume increspado
Sujidade...
Numa gaiola dourada

Turbilhão emocional
sem sentido qualquer
Bússola desregrada
caixinha violada

Ouro de lei
sem roque nem rei
salteado por bandidos
espezinhado pelos mais queridos

IV
A sensação de um abraço
como uma manta macia
Envolve a minha pele
Rosa ténue e Alegria

Sou invadida por luz
primavera em claridade
cheira-me a mimosas...
Amarelo e Felicidade

Um olhar brando infinito
brilha na tua face
Tua mão sobre a minha
sabor a Algodão Doce e Paz

Ouço novas melodias
de magia e simplicidade
Sopra-me um anjo ao ouvido.
São novos caminhos desconhecidos!

Cristina, 11 de Maio de 2017