8 de junho de 2017

Deste-me Tempo

quando me deste tua mão
estava eu desfalecida no chão
morta-viva - sem reacção
luz apagada num porão fechada

vieste e quiseste ficar
!?
(minha mente perde-se neste questionar)
quem está a definhar
não se lembra:
o universo está sempre a aprontar

partida que estava... meus pedaços
feita de nós em vez de laços
espinhos moldados do aço
...sempre a olhar cá de baixo...

✿✿✿

teu doce aconchego e calor
aliviou e sanou tanta dor
sem que eu soubesse supor
que isso era o teu amor

✿✿✿

acreditas tu que eu estava
ainda assim desconfiada
!?
... tudo o que me davas
... do que sentia quando me abraçavas

tão grande era a cegueira
água seca d'uma torneira
achada, mas sem eira-nem beira
...
a prece de uma vida inteira

✿✿✿

hoje sou feita de mim
pinto-me com as cores que eu escolhi
dentro do meu peito... carmim
carrego o vôo d'um colibri

iluminei a escuridão - fiz meus lutos
convivo com os meus fantasmas...
mas não lhes presto culto
afago minhas saudades e não me iludo
sei que sou amputada...
...mas não de tudo...

é que fui podada pela vida
no tear do universo tecida
com as cores de mim mesma tingida
sou eu-una e indivisível.

Cristina, 11 de Maio de 2017

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