10 de agosto de 2017

Argh!

Hoje não discutimos,
muito embora eu ansiasse...
Porque é que tu, meu querido,
apenas, esperas que me passe?

Queria que gritasses comigo
Para alimentar meu frenesim
Descarregasses as frustrações
Apenas... em cima de mim

É que eu preciso de debater
Como forma de comunicação
Como é que querendo eu rebater
recusas dar-me essa satisfação

Mas eu quero mais do que isso
Eu quero batalha campal
Apontar meu dedo em riste
bem perto da face do mal

Enfureço e falo o que não devo
Fervo e ataco de frente
A raiva empula meus olhos
e tu olhas-me docemente

Esses olhos reluzentes
que estão rodeados de amor
Ao assistirem um teatro de dor
antevêm a escuridão do bastidor

Aplaudo esses infelizes
Que espetáculo degradante
Abre-se a cortina
Começa o teatro angustiante

Um guião sem cor
só com vozes de dor
tudo é triste, falta calor
sem esperança, só desamor.

E a peça continua
É aquela encenação
A plateia está composta
E eu sei de cor o guião

Não quero ser mais atriz
nem secundária nem principal
nem sequer quero fazer parte
desta peça teatral


Cristina, 10 de Agosto de 2017

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